sexta-feira, 24 de junho de 2011
A HISTÓRIA DAS COISAS
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Um Sorriso nos Lábios
A Semente de Pedra - Um Conto Aristotélico
O jovem, deslumbrado com a
persistência do velho, ainda que não acreditasse na sua capacidade de retirar da
pedra aquilo que ela não necessitava, perguntou: “o que você está procurando?”.
“Espere e verá”, respondeu o artesão, coçando a espessa barba, que lhe atribuía
vinte anos mais que sua verdadeira idade. Aristófilo deu de ombros e foi
embora, um quase nada iresignado por sua falta de êxito.- Adaptado de outro conto semelhante.
- Os nomes foram utilizados apenas como referência, não correspondendo a datas reais, figuras históricas e sua contemporaneidade entre si.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
O Voto do Marceneiro - Desembargador José Luiz Palma Bisson
sábado, 16 de abril de 2011
Francis e Cristina - outra homenagem minha a Chico Buarque
Mas no fim, fiquei na mesma coisa em que estava, porque a criatura que eu sonhava não faz aquilo que me prometeu.
Não sei se é meu destino. Não sei se é meu azar. Mas tenho que viver brigando.
Todos no mundo encontram seu par. Porque só eu vivo trocando?
Se deixo de alguém, por falta de carinho, por brigas e outras coisas mais, quem aparece no meu caminho tem sempre os defeitos iguais.
Me comia com aqueles olhos de comer fotografia. Eu disse cheese.
E de close em close fui perdendo a pose, até sorrir, feliz.
Você voltou me ofereceu um drinque. Me chamou de anjo azul.
Como no cinema, você me mandava às vezes, uma rosa e um poema.
Abusou do scotch, disse que meu corpo era só teu aquela noite. Eu disse please!
Você voltou no derradeiro show, com dez poemas e um buquê. Eu disse adeus, Já vou com os meus numa turnê.
Como amar esposa, você disse que agora só me amava como esposa, não como star.
Me amassou as rosas, me queimou as fotos, me beijou no altar.
Nunca mais romance, nunca mais cinema, nunca mais drinque no dancing, nunca mais cheese. Nunca uma espelunca. Uma rosa nunca, nunca mais feliz.
Me atirei assim de trampolim fui até o fim um amador.
Passava um verão a água e pão, dava o meu quinhão pro meu grande amor. Mentira!
Eu botava a mão no fogo então com meu coração de fiador.
Fui muito fiel, comprei anel, botei no papel o grande amor. Mentira!
Reservei hotel, sarapatel e lua-de-mel em Salvador.
Fui rezar na Sé pra São José, que eu levava fé no grande amor. Mentira!
Fiz promessa até pra Oxumaré de subir a pé o Redentor.
Rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos com tantos segredos lindos e indecentes.
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo e me crava os dentes.
Você me deixar maluca quando me roça a nuca e quase me machuca com a barba malfeita.
O jeito de pousar as coxas entre as minhas coxas quando se deita.
O jeito de me fazer rodeios, de me beijar os seios, me beijar o ventre e me deixar em brasa.
Desfruta agora do meu corpo como se o meu corpo fosse a sua casa.
Olha a voz que me resta! Olha a veia que salta! Olha a gota que falta pro desfecho da festa!
Por favor, deixe em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoa.
Serei eu meramente mais um personagem efêmero da sua trama sem fim?
Quando você, vestida de preto, dá-me um beijo seco, prevejo meu fim.
E a cada vez que o perdão me clama, se joga na cama, mas nem sei se estais aqui.
Mas depois, como era de costume, obedeci.
Porém não fui tão imprudente e agora não há francamente motivo pra você me injuriar assim.
Dinheiro não lhe emprestei, favores nunca lhe fiz. Não alimentei o seu gênio ruim.
Você nada está me devendo, por isso, meu bem, não entendo, porque anda agora falando de mim?
Arrancou-me do peito. E tem mais, levou seu retrato, seu trapo, seu prato. Que papel!
Uma imagem de são Francisco e um bom disco de Noel.
Você matou nosso amor. De vingança, nem herança deixou.
Não levou um tostão, porque não tinha não. Mas causou perdas e danos.
E além de tudo, me deixou mudo, um violão.
As sombras de tudo que fomos nós. As marcas de amor nos nossos lençóis.
Mas me devolva o Neruda que você me tomou e nunca leu.
Olhos nos olhos, quero ver o que você faz. Ao sentir que sem você eu passo bem demais.
Pra mostrar que inda sou tua...
Só pra provar que inda sou tua...
Ando com minha cabeça já pelas tabelas. Claro que ninguém se importa com minha aflição.
Noite e dia me pergunto, meu assunto é perguntar.
Se eu não mato a saudade...
Quando ouvi a cidade de noite batendo as panelas, eu pensei que era ela voltando prá mim.
Quando vi um bocado de gente descendo as favelas, eu achei que era o povo que vinha pedir a cabeça de um homem que olhava as favelas.
Quis saber o que é o desejo, de onde ele vem. Fui até o centro da Terra e é mais além. Procurei uma saída e amor não tem. Estou ficando louco, louco de querer bem.
Quis chegar até o limite de uma paixão. Baldear o oceano com a minha mão.
Encontrar o sal da vida e a solidão. Esgotar o apetite, todo o apetite do coracão
Mas voltou a saudade. É pra ficar, aí eu encarei de frente.
Se você ficar na saudade, é deixa estar. Saudade engole a gente.
E quando o seu bem querer mentir que não vai haver adeus jamais.
Há de responder com juras, juras, juras, juras imorais.
E quando ele querer sentir que o amor é coisa tão fugaz, há de me abraçar com a garra. A garra, a garra, a garra dos mortais.
E quando o seu bem querer pedir pra você ficar um pouco mais, há que te afagar com calma. A calma, a calma, a calma dos casais.
E quando o meu bem querer ouvir o meu coração bater demais, há de me rasgar com a fúria. A fúria, a fúria, a fúria assim dos animais.
E quando o seu bem querer dormir, tome conta que ele sonhe em paz, como alguém que lhe apagasse a luz, vedasse a porta e abrisse o gás.
sábado, 9 de abril de 2011
A História do Menino Jesus
Segundo contou minha mãe, quando eu era criança era um pouco dele, meu pai, uma eterna lembrança.
Tudo começou num bar. Ali, eles dois se amaram num só olhar. Ele vinha sem muita conversa, sem muito explicar. Eu só sei que falava e cheirava e gostava de mar. Sei que tinha tatuagem no braço e dourado no dente. E minha mãe se entregou a esse homem perdidamente.
Sem ao menos esperar ele teve de ir embora, assim de repente. Disse que deveria enfrentar tempestades, valentemente.
Na partida, deixou as seguintes palavras de despedida: “Quem me dera ficar meu amor, de uma vez. Mas escuta o que dizem as ondas do mar. Seu eu me deixo amarrar por um mês na amada de um porto, noutro porto outra amada é capaz de outro amor arranjar. Ah, a minha vida, querida, não é nenhum mar de rosas. Chora não, vou voltar”.
Secando as lágrimas no cais, ela assim disse, pra nunca mais: “Quem me dera amarrar meu amor por quase um mês, mas escuta o que dizem as pedras do cais, marujo cortês. Volte, assim como estais. Volta sim, e segue em paz”.
Ele assim como veio partiu não se sabe pra onde, deixando minha mãe com o olhar cada dia mais longe. Ela se despediu dele, que em um barco partia, bem onde ele jurou que voltaria. E ela, encharcada em prato, jurou que esperaria.
Esperando, parada, pregada na pedra do porto, com seu único velho vestido cada dia mais curto, ela então cantarolava uma música que falava do mar, da saudade que sentia e da amargura de tanto amar:
“Tristeza, por favor, vá embora. A minha alma que chora, está vendo o meu fim. Fez do meu coração a sua moradia. Já é demais o meu penar. Quero voltar àquela vida de alegria. Quero de novo cantar”… e com voz embargada, cantarolava o refrão: “la ra rara, la ra rara, la ra rara, rara. Quero de novo cantar”.
E assim permanecia ali, a esperar, sempre no cais. Usava o mesmo vestido, pois, se ele voltasse, não iria se enganar. Aguentava bem forte, mesmo não sendo capaz. O marujo de ouro no dente, que tempestades enfrentava, e com todas as mulheres falaz.
Mais de mil luas se passaram e o tempo se escorreu. Ela pensava que o barco virara e que seu amor no mar morreu. Mas então, prenhe de esperança, lembrava-se dos dizeres. E assim seus olhos se encheram de amanheceres.
Sozinha no esquecimento, com seu espírito ao relento. Sozinha, com seu amor em mar, no porto a esperar.
Quando enfim eu nasci, minha mãe embrulhou-me num manto. Vestiu-me como se eu fosse assim uma espécie de santo. E não sei bem se foi por ironia ou se por amor, resolveu me chamar com o nome do Nosso Senhor.
Na infância, sem conhecer o marujo, minha mãe contou-me, em um dia carujo, da sua valentia, dos versos que fizera pra ele, falando de mim e também do que sentia. Catava:
“Veja bem, meu bem,
Sinto te informar, que arranjei alguém pra me confortar.
Este alguém está quando você sai.
Eu só posso ter, pois sem ter você nestes braços tais.
Veja bem, amor, onde está você?
Somos no papel, mas não no viver.
Viajar sem mim, me deixar assim.
Tive que arranjar alguém pra passar os dias ruins.
Enquanto isso, navegando eu vou sem paz.
Sem ter um porto, quase morto, sem um cais
E eu nunca vou te esquecer, amor.
Mas a solidão deixa o coração neste leva-e-traz.
Veja bem além destes fatos vis.
Saiba: traições são bem mais sutis.
Se eu te troquei não foi por maldade.
Amor, veja bem, arranjei alguém chamado saudade”.
“laiá, laiá... laiá, laiá”.
Eram versos lindos, como seus olhos, já azuis pela cor do mar. Enquanto ela esperava lá, cansada de tanto amar, na pedra do porto, com aquele o olhar quase morto, a esperança escrava, ainda sorria quando uma embarcação no cais atracava.
Seu cabelo se branqueou, mas nenhum barco seu amor a devolvia. Os caranguejos lhe mordiam, sua roupa, sua tristeza, sua ilusão. Todos a chamavam de louca, a louca do cais. Mas ninguém podia arrancá-la. Do mar, não a separaram jamais.
Certo dia deixei-a sozinha, no esquecimento, com sua agonia, seu espírito, seu amor em mar. Com o sol, o velho vestido a voar, permaneceu naquele lugar, no molhe de São Bras.
Agora conto minha história, com esse nome que ainda hoje carrego comigo, quando vou de bar em bar, viro a mesa, berro, bebo e brigo. Os ladrões e as amantes, meus colegas de copo e de cruz, me conhecem só pelo meu nome de menino Jesus.
"Tristeza", Vininius de Moraes.
"Veja bem meu bem", Música e letra de Marcelo Camelo.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
O Pombo Enxadrista
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
No cais de São Brás
Ela despediu-se de seu amor, que em um barco partia
No cais de São Brás, onde ele jurou que voltaria
E encharcada em prato ela jurou que esperaria
Mais de mil luas se passaram
E ela estava sempre no cais... esperando
Muitas tardes se passaram
Passaram-se em seu cabelo e seus lábios
Vestia o mesmo vestido, pois se ele voltasse não iria se enganar
Os caranguejos a mordiam, sua roupa, sua tristeza e sua ilusão
E o tempo se escorreu, e seus olhos se encheram de amanheceres
Pelo mar se apaixonou e seu corpo se enraizou no cais.
Sozinha no esquecimento, com seu espírito
Sozinha, com seu amor em mar, no cais de São Brás
Seu cabelo se branqueou, mas nenhum barco seu amor a devolvia
E todos a chamavam de louca, a louca do cais de São Brás
Em uma tarde tentaram levá-la a um manicômio
Mas ninguém podia arrancá-la
Do mar jamais a separaram
Sozinha no esquecimento, com seu espírito
Sozinha, com seu amor em mar, no cais de São Brás
Quedou-se sozinha até o fim
Com o sol e com o mar, ficou nesse lugar
Sozinha no cais de São Brás
Tradução meia-boca feita por mim para música “El Muelle de Sá Blás”, de Monchy e Alexandra, interpretada por Maná.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Cuba
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Estatísticas do blog
Só não me perguntem de onde vieram essas visitas. Eu divulguei em comunidades do Orkut, no meu perfil também, mandei para alguns amigos, coloquei o link como assinatura do meu e-mail (por isso que quando é repassado, alguém deve entrar). Talvez seja daí, vai saber!?!?
Bom, para um blog cheio de baboseiras e erros de português, até que (em dois anos) é um bom número de visitas.
Estou procurando algum parceiro que queira escrever também. Pode ser qualquer coisa, desde que preste (mais do que os meus textos, de preferência). Quem quiser entre em contato comigo pelo e-mail rafaelrivas@tj.rs.gov.br
Segue o print da tela pra não dizerem que eu to mentindo. Não é fotoshopada, mas se não acreditam, vão se foderem!
![]() |
| Clique para ampliar (ou não!) |



